
A sobrevivência da personalidade após a morte do corpo físico tem sido tema de maior relevância para a maioria das religiões, bem como foco de intermináveis discussões filosóficas e teológicas. A controvérsia aumenta quando se discute a possibilidade de estudar cientificamente o fenômeno.
De regra, a questão tem sido considerada como do campo da metafísica, não possível de abordagem científica. Apesar disso, a pesquisa da vida postmortem tem sido foco de reflexões de renomados cientistas e intelectuais respeitáveis nos últimos 150 anos.
No entanto, a psiquiatria e a psicologia, que devem ter como principal finalidade o estudo da origem e do funcionamento da mente, bem como a extinção da vida com a morte corporal e a conseqüente destruição do cérebro, pouco têm avançado. Não foram capazes de superar o preconceito e muitas vezes, deliberadamente, a maioria de seus pesquisadores evita tratar do assunto; ou considera resolvida a questão no sentido de que a mente é produto do funcionamento do cérebro e extingue-se com a morte desse, ou o problema é relegado como fora da viabilidade de
investigação científica.
Costuma-se alegar que, para uma teoria ser abrangida pela investigação científica, é fundamental que possa ser testada empiricamente (com base na experiência e na investigação). Não se pode negar, entretanto, que a sobrevivência ou a não sobrevivência da mente após a morte possui implicações empíricas testáveis.
Tanto é assim que, há mais de um século, pesquisadores de elevado nível têm se envolvido com esta questão. Em meados do século XIX, com o advento do espiritualismo moderno na Europa e nos Estados Unidos, buscou-se investigar os fenômenos chamados mediúnicos e de aparições. Ocuparam-se da questão nomes como os de William James, Carl G. Jung, Frederic Myers, J.B.Rhine, Hans Eysenck e Ian Stevenso. Muitos outros, inclusive ganhadores do prêmio Nobel, também se dedicaram à investigação da natureza da mente e sua sobrevivência pós-morte. Entre eles, encontram-se Cammile Flammarion, William Crookes, Alfred Russel Wallace, Ernesto Bozzano, Alexandre Aksakof, Oliver Lodge, Lord Rayleigh, J.J. Thomsom, Cesare Lombroso e Charles Richet.
Mas, que evidências existem para a sobrevivência após morte? Efetivamente, há vestígios da continuidade da vida após a desintegração cerebral? Não há uma resposta rápida e consensual. Tais evidências podem ser agrupadas em três categorias: Mediunidade, Casos sugestivos de reencarnação e Experiências
de Quase Morte.
A mediunidade pode ser entendida como o caso em que uma pessoa acredita estar recebendo uma comunicação de uma fonte espiritual, não física. Trata-se de fenômeno que tem estado presente ao longo da história da humanidade. Porém, a investigação científica desta experiência somente teve início a partir da segunda metade do século XIX, tendo como pioneiro o francês Allan Kardec.
O fato é que grande parte dessas comunicações podem ser consideradas como fraude ou exteriorizações do inconsciente da mente do médium. Todavia, há um bom e significativo número das que não podem ser descartadas com muita facilidade. Tome-se como exemplo o tipo de comunicação mediúnica que traz informações verídicas, de conhecimento da pessoa falecida, mas que são absolutamente desconhecidas do médium.
No tocante à reencarnação, é grande o interesse para a presente tese, pois a reencarnação de uma personalidade exige a admissão da sobrevivência depois da morte e a conseqüente manifestação da mesma personalidade em um novo corpo físico. Casos típicos de reencarnação são os que envolvem crianças de 2 a 4 anos que começam a falar sobre uma suposta vida passada. Em alguns casos, relatam detalhes que permitem identificar e localizar pessoas e lugares onde viveram no passado. Como no caso da mediunidade, o primeiro passo é excluir fraudes ou afirmações genéricas.
Quanto às experiências de quase-morte ou experiências fora do corpo (EQM), a percepção de estar fora do corpo físico, com grande lucidez e clareza mental, permite encontro com pessoas já falecidas e com seres de luz. Seus adversários adotam uma forma simplista para explicar a EQM como sendo resultado exclusivo de alucinações por alterações cerebrais em um moribundo. Contudo, as pessoas que vivenciaram o fenômeno mantêm relatos básicos inalterados, embora provenientes de diversas culturas.
Em conclusão, não se deseja aqui esgotar o tema, mas apenas provocar a reflexão sobre a necessidade de investigação científica da sobrevivência após morte. Várias pesquisas já apontam para a possibilidade de uma abordagem empírica dessa questão. Se tais pesquisas não conseguem convencer, a força das evidências sugere que a consciência pode não ser necessariamente dependente do
funcionamento cerebral