O primeiro Volkswagen brasileiro foi
lançado em 1949, obedecendo, com poucas
modificações, ao projeto de Ferdinand Porsche, lançado na Alemanha vinte anos antes.
A partir de 1950, o Fusca começou a ser
vendido no Brasil. Chegando pelo porto
de Santos, as trinta primeiras unidades foram logo vendidas (a família Matarazzo foi uma das primeiras a
comprar). O carro vinha desmontado da Alemanha (ou em kits "CKD", "Completely Knocked
Down"), e curiosamente não era montado pela Volkswagen, que ainda não havia se instalado no
Brasil. A empresa responsável pela montagem era a Brasmotor (mesmo grupo dono da
Brastemp, por exemplo). O modelo
importado era o conhecido "Split Window", com vidro traseiro dividido em dois,
modelo Export (havia o Standard, mais simples, nunca trazido para o Brasil).
Em 1954 passava a contar
com janela traseira oval.
Em 1953 o Fusca deixou de ser montado
pela Brasmotor e a Volkswagen
assumiu a montagem do carro no Brasil,
com peças vindas da Alemanha. O
modelo produzido já era o que tinha janela traseira única, oval. Em 1959 o Fusca passou a ser oficialmente
produzido no país, embora parte das suas peças ainda fosse importada. A janela
traseira aumentou de tamanho e passou a ser retangular neste modelo.
Em 1960 a fábrica alterou o volante. As
maçanetas externas ganharam botão de acionamento e o estribo ganhou revestimento
na cor do carro. (versão monocromática)
Em 1961 o carro passou a ter: caixa de
marchas sincronizada, para resolver o problema das "arranhadas"; ganhou nova
lanterna traseira de formato oval (versão que durou nos modelos standard até
1983) e o painel ganhou uma alça de segurança para o passageiro.
A dianteira tradicional dos anos 1960.
Em 1962 o Fusca passou a ter chassi
nacional, faróis com luzes assimétricas, gancho cabide e reservatório de fluido
de freio de plástico. Em 1963 ganhou novo
descanso de braço, lavador de para-brisas pneumático e janelas traseiras
basculantes, além de amortecedor de direção. Em 1964 passou a vir com novo tanque de combustível.
1965 foi o ano do lançamento do Fusca com
teto-solar, que ficou conhecido como "Cornowagen". Logo o acessório foi
rejeitado e muitos proprietários, incomodados com o apelido (segundo rumores
dado ao carro por um executivo da Ford), mandaram fechar o teto. Houve também mudanças nas
lanternas que passaram a ser modelo "sorriso curto" e na luz de placa ficando
mais larga.
Em 1966 houve mudanças na caixa de marcha
e no distribuidor. Nesse ano, a Volkswagen assumiu o controle da Vemag, encerrando no ano seguinte as suas atividades.
Em 1967, a Volkswagen adotou um motor de
1.300 cc e 46cv no lugar do antigo 1200, de 36cv. Nas propagandas, apareciam os
carros com uma cauda de tigre saindo da
traseira em alusão a maior potência. O vidro traseiro ficou 20% maior e o
acionamento da seta foi para a coluna de direção. Foi também o fim do sistema
elétrico de 6 volts para a chegada do de 12V.
Vale notar que foi durante esta
época que o Fusca sedimentou a Volkswagen no mercado nacional, permitindo o
lançamento de vários derivados no mercado nacional, tais como o Vw 1600,
o TL,
a Variant, o Karmann Ghia TC, o SP2, a Variant
II, o Brasília e o Gol.
Em 1969, novos bancos e espelhos
retrovisores foram adicionados à linha. Em retrospecto, embora muitos falem que
o Fusca de 1954 a 1969 só tenha mudado o vigia traseiro e o para-brisa, neste
período foram feitas mais de 2.500 mudanças no motor e em outras partes do
automóvel.
Em 1970 o Fusca 1300 teve duas versões,
uma igual ao do ano anterior e outra que chegou no meio do ano, com alterações
nos pará-choques (lâmina simples). Chegou também uma versão com o novo motor
1500 de 52cv. Ocorreram mudanças na tampa do motor, tampa do porta-malas e
para-choques.O Fusca 1500 durou de 1970 até 1975.
Em 1973 foi abandonado o modelo de farol
de perfil abaulado, sendo adotado o farol de perfil reto, que durou até o fim da
linha. As fendas de ventilação do capô traseiro deixaram de ser cinco de cada
lado, e passaram a ser dois grupos com oito e seis fendas de cada lado do
capô.
A partir de 1974 o carro passou a contar
com uma entrada de ar no caput dianteiro, que chegava ao interior do carro
através do painel e saía por aberturas atrás dos vidros laterais traseiros, as
populares "orelhinhas". Muitos pensam que sua função é ventilar o interior do
carro quando, na verdade, é o inverso. As janelas laterais traseiras passam a
ser fixas. Também são apresentados novos faróis e distribuidor à vácuo.
Em 1975 foi introduzido o "Bizorrão" ou
"Super-Fuscão": o Fusca 1600-S. Essa versão contava com carburação dupla,
desenvolvendo 65 cv SAE, volante de direção esportiva de três raios, rodas aro
14 (idênticas às da Brasília), painel com conta-giros, marcador de temperatura,
relógio e amperímetro. Também tinha uma cobertura plástica na cor preta sobre a
tampa traseira, que lembrava as asas de um besouro.
Em 1976 é lançada a versão 1.300-L. O
perfil entre o quebra-vento e o vidro dianteiro deixa de ser cromado.
Em 1977, o Fusca apareceu com mudanças
estruturais, comando do limpador de para-brisas na chave de seta e barra de
direção retrátil, que protege o motorista em caso de choque frontal. Também
ocorreu uma mudança no bocal do tanque, que passou para a lateral direita do
carro.
Em 1978 O interruptor do pisca-alerta foi
transferido para a coluna de direção e foi adotada uma chave única para portas,
capô do motor e ignição.
No meio de 1979, houve uma alteração nos
modelos 1300 L e 1600, as lanternas traseiras (capela) se tornam maiores e
passam a ser chamadas "Fafá", em alusão aos grandes seios da cantora Fafá de Belém. O
modelo de lanterna menor continuou a ser utilizado nas versões 1300.
As lanternas "Fafá" do modelo de 1979.
Em 1981 foi lançado o Fusca 1300 com
motor a álcool.
Em 1982 chegou um painel com relógios
retangulares e a nova versão 1300 GL com "luxos" como rádio AM/FM,
acendedor de cigarros, apoios de cabeça dianteiros, desembaçador do vidro
traseiro, janelas traseiras basculantes, protetor de borracha nos para-choques,
aquecimento e novo logotipo 1300 em branco com o GL
em vermelho.
Em 1983, a empresa resolveu rebatizar o
modelo no Brasil, adotando finalmente o nome que se tornara popular, Fusca. Até
então o automóvel era oficialmente denominado "VW Sedan" nos registros dos Detrans. A lanterna
modelo Fafá passou a ser padrão para este modelo único, fabricado somente com o
motor 1300.
Em 1984 o motor 1300 deixou de ser
produzido. Agora passa a equipá-lo o novo motor 1600, mais moderno, e o carro
passa a contar também com freios a disco na dianteira, mais eficientes.
Em 1986 a Volkswagen desistiu de fabricá-lo alegando que era
um modelo muito obsoleto, apesar de ser ainda um dos doze carros mais vendidos
daquela época. Um dos motivos era a necessidade de abrir espaço em linha de
montagem da fábrica de São Bernardo do Campo para o Santana e para o VW Fox, a
ser exportado para os EUA.
Em 1993, por sugestão do então presidente
Itamar Franco a empresa
voltou a fabricar o modelo. Itamar queria a fabricação de carros populares e
sugeriu que o Brasil precisava de um carro como o Fusca. Foi aprovada então a
Lei do carro popular, que previa isenções de impostos para os carros com motor
1.0 e também para os que tivessem com refrigeração a ar, sendo assim e o Fusca e
a Kombi, embora tivessem
motores de 1.6l, foram incluídos. O carro vendeu muito menos que da meta
esperada pela Volkswagen. A
principal razão para que o Fusca não vendesse tão bem se deve ao fato de seu
acabamento espartano demais diante dos concorrentes surgidos em meados da década de 1990, como
o Fiat Uno Mille e Chevrolet Corsa de
primeira geração, que tinham preços muito próximos do velho Besouro, porém, com
acabamento e espaço interno melhores que os do Fusca. Em 1996, a empresa deixou de produzir novamente o carro, com
uma série especial denominada Série Ouro. A partir daí, ele só seria
produzido no México. Nesse segundo período, foram produzidos no Brasil cerca de 47.000 exemplares.
Atualmente, o Fusca permanece como um dos carros usados mais vendidos no
mercado nacional.
