sábado, 8 de junho de 2013

Bailarinos da Paracuru Cia. de Dança, nas areias do município: dez anos de atividades


"O espetáculo fala de origem e de lugar", conta Paulo Victor Feitosa, diretor executivo da Escola de Dança de Paracuru. "É uma grande celebração da história deles (membros da Companhia de Dança) como bailarinos, como intérpretes", continua. O diretor detalha que a peça aborda, de forma poética, o amadurecimento e as dificuldades vividas também enquanto escola; é um retrato da essência de Joab Tafarel, Rochele Conde, Miliane Moura, Wanderson de Sousa, Lairton Rocha e Alexandre Santiago, os seis bailarinos do espetáculo. "Eles dançam a dança que construíram ao longo desse tempo", reflete Paulo Victor.

Para capturar essa profundidade presente em cada artista e transpô-la a uma peça comemorativa, a Paracuru Companhia de Dança convidou Cláudio Bernardo, premiado e mundialmente reconhecido coreógrafo cearense radicado na Bélgica. "A gente queria alguém que pudesse passar essa sensibilidade em cena", justifica o diretor.

O belo e o sublime

De acordo com Cláudio Bernardo, a proposta do espetáculo é de pura beleza. "Eu acredito que a beleza pode salvar o mundo. E a peça traz essa sensibilidade, a vontade de ver e viver melhor, de alcançar o sublime", descreve o coreógrafo da companhia.

Nessa busca pelo belo é que a música clássica do compositor alemão Johann Bach se revelou a escolha ideal para dar o tom do espetáculo. Considerada por Cláudio Bernardo como uma expressão musical universal, os concertos de Bach para orquestras e pianos sublima a cultura popular representada pela companhia de Paracuru, que surgiu do amor de alguns jovens por dançar forró e hoje é uma representante do balé no Ceará. O coreógrafo revela, inclusive, que nunca tinha pensado em utilizar a obra do músico alemão em espetáculos, porque "era tão bonito por si que eu ficava um pouco tímido". Porém, ao conhecer os bailarinos da antiga aldeia de pescadores no interior do Ceará, Cláudio acreditou que eles fossem capazes de ficar à mesma altura no quesito beleza. "Chegou a hora de eu enfrentar esse mito", conta.

"Eu faço as peças em cima das pessoas, em como elas são, o ambiente em qual eles vivem", afirma o coreógrafo. Como inspiração para as coreografias, ele afirma que se utilizou da dança de salão, dos concertos de Bach interpretados pelo pianista Glen Gould e do significado de Paracuru em tupi: "lagartos do mar".

Cláudio Bernardo descreve que a naturalidade, o humor e a alegria contagiante dos bailarinos fazem de ParaBach um espetáculo cheio de alma e exaltação. "Eles representam a nossa identidade cearense", crê. A peça será encenada hoje e no dia 13 de junho, no Teatro do Dragão do Mar, a partir das 20h. O espetáculo também se apresenta em festivais de dança de Cuba, Argentina, Colômbia, Uruguai, Panamá e Costa Rica. Entrada gratuita.

Mais informações:

Espetáculo "ParaBach", da Paracuru Companhia de Dança. Às 20 horas, hoje e no dia 13 de junho, no Teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Rua Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema). Entrada gratuita. Contato: (85) 3488.8600